terça-feira, 17 de maio de 2011

Texto 4 - Maria e Belém‏

BAIXE AQUI O ANEXO



Queridos e queridas,

Chega até vocês o 4º texto sobre Belém. Dessa vez, Luis e eu, discorremos breves reflexões sobre a presença da mulher pobre Maria em Belém. Junto com esse, estao os demais textos com as outras temáticas.
Aproveitem da melhor forma possível!

Estamos, também, em sintonia com a União Marista do Brasil que celebra seu ano Mariano - "Com Maria para uma nova terra". Colocando, assim, "Maria no coração da Igreja".

Forte abraço carinhoso,
Na fraternura!

Luis e Maicon

Desventuras de jovens pejoteiros numa ampliada regional!‏

DESVENTURAS DE JOVENS PJOTEIROS NUMA AMPLIADA REGIONAL! (Tudo em nome da Pastoral)
Sabe aquelas historias que não vão para os relatórios, mas que nos divertem bastante pelos bastidores...

Trabalhar nas equipes de trabalho de qualquer atividade da PJ além de nos dá muita fé nos proporciona momentos inesquecíveis que acabamos realizando Em nome da pastoral!

Algumas desventuras ocorridas na 10ª Assembleia do Regional da Pastoral da Juventude do Norte 2, nos garantiram boas risadas numa madrugada dessas... tipo, como:

Ir buscar uma jovem no aeroporto, chegar debaixo daquela chuva da tarde de Belém e por conta dela esperar mais de uma hora no aeroporto, tudo Em nome da pastoral!

Receber aviso as 01:30 h que tínhamos que arrumar a plenária pra missa logo de manha e por conta do barulho do quarto descer pra essa organização, tudo Em nome da pastoral!

Ceder um raro colchão a um companheiro de outra diocese, tudo Em nome da pastoral!

Trabalhar com dor, de dente e dor de cabeça, na equipe de alimentação, tudo Em nome da pastoral!

Perder aulas e seminário da faculdade, tudo Em nome da pastoral!

Sair correndo pra providenciar 100 pães, meia hora depois do horário do café da manhã, tudo Em nome da pastoral!

Desatolar o carro do bispo referencial do regional e sair todo sujo de lama, tudo Em nome da pastoral!

O assessor leigo consultar primeiro sua esposa pra aceitar a indicação para o cargo, tudo Em nome da pastoral!

Escorregar na escada se bater e mesmo assim continuar o trajeto, pois tinha uma jovem passando mal, tudo Em nome da pastoral!

Dormir um por cima do outro e não se importa nem um pouquinho, mesmo tendo que dormir até cinco pessoas em dois colchões, tudo em nome da pastoral!

Pois é! Temos que dormir, já são 02:05 da manhã e temos que levantar daqui a 4 horas para a oração da manhã... Mas vamos lá... Caminhando e cantando, MAS TUDO EM NOME DA PASTORAL!

#Texto escrito em conjunto pelos jovens pejoteiros delegados e das equipes de apoio da Arquidiocese de Belém diretamente do Seminário Giuliano Moretti, Ananindeua-Pará!

Carta da PJ para os Bispos reunidos em Assembléia Geral‏

Carta da PJ para os Bispos reunidos em Assembléia Geral


Marabá-PA, 03 de maio de 2011.

“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.”
(Lc 10, 11.14-15)

Prezados senhores, amigos da juventude,
Bispos do Brasil,

                Que o Divino que faz morada na juventude, esteja sempre com os senhores!

É com muita alegria que nós da Pastoral da Juventude do Brasil (PJ) com estas simples palavras nos dirigimos aos nossos Pastores que estão reunidos nestes dias, sob o manto da Mãe Aparecida, por ocasião da 49ª Assembleia Geral da CNBB.
A PJ é imensamente grata ao Deus de bondade pelo dom da vida dos senhores, que no seguimento a Jesus Cristo doam suas vidas pelo bem do Povo de Deus e pelo bem da Igreja, anunciando e testemunhando Cristo e, além disso, amam a juventude e por ela dedicam parte de seu ministério episcopal.
Somos muito gratos e muitos felizes por toda preocupação dos senhores para com a evangelização da juventude em nosso país. De modo especial queremos agradecê-los mais uma vez, pelo Documento 85, aprovado em 2007, que tem sido luz a iluminar a missão evangelizadora com a juventude, que todos nós, somos chamados a realizar. Nós da PJ temos feito um grande esforço, de difundir e estudar o Documento 85 em todas as nossas instâncias organizativas.  Queremos e lutamos para que o mesmo seja assumido integralmente por todos/as que assumem a juventude como causa e por todas as forças evangelizadoras da juventude em nossa Igreja.
Há pouco mais de quatro meses a PJ do Brasil fez sua morada nas belas e acolhedoras terras de Imperatriz, MA, por ocasião da Ampliada Nacional da PJ. Em momentos de debate, estudo, oração, missão, leitura orante da bíblia e discernimento, com os olhos fixos em Jesus e na defesa da vida da juventude, avaliamos e planejamos a caminhada da PJ no Brasil. Muito nos alegrou a presença de dom Eduardo Pinheiro, nosso bispo referencial; de dom Vilson Basso, bispo referencial da juventude no regional Nordeste 5; de padre Carlos Sávio, assessor nacional do Setor Juventude, e dos demais bispos do Maranhão que nos visitaram, enriquecendo os debates de nossa Ampliada.
Na Ampliada, no desejo de fortalecer a caminhada dos Grupos de Jovens (razão de ser da PJ e sua prioridade), assumimos seis projetos nacionais:
·      Caminhos de Esperança – Formação de Lideranças e Assessores/as para acompanharem os Grupos de Jovens;
·      Mística e Construção – Atua com a espiritualidade e com a formação litúrgica, bíblica e catequética;
·      AJURI – Pauta em suas iniciativas a diversidade cultural da juventude de nosso país;
·      Teias da Comunicação – Articula e potencializa a comunicação da PJ, propondo uma comunicação pautada nos valores evangélicos;
·      A Juventude quer Viver – Pauta a defesa da vida da juventude e a participação na construção de políticas públicas de juventude; e
·      Tecendo RelaçõesDialoga com a juventude e os grupos de jovens sobre a temática da afetividade e sexualidade em sintonia com as orientações da Igreja.

Neste ano além da Ampliada Nacional, estamos vivendo a preparação do X Encontro Nacional da PJ, que acontecerá na cidade de Maringá, PR, em janeiro de 2012, onde em momentos de estudo, debate, celebração eucarística, missão e oração debateremos e refletiremos sobre o tema: “Somos Igreja Jovem!”. Tudo isso em consonância com a memória da celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II, com o Projeto de Revitalização da Pastoral Juvenil na América Latina, convocado e organizado pela Seção Juventude do CELAM, e com a preparação da Jornada Mundial da Juventude que poderá acontecer em nosso país no ano de 2013.
Neste ano também estamos nos preparando de forma intensa para participarmos da Jornada Mundial da Juventude, em Madri, Espanha, sendo motivados pela organização do Setor Juventude e ainda mais sabendo que Sua Santidade, o Papa Bento XVI, anunciará a boa-nova de que em 2013 o Brasil será a casa da juventude católica do mundo. Colocamo-nos a disposição para ajudar na preparação da JMJ em 2013. Queremos que a JMJ de 2011 e que a JMJ em 2013 sejam momentos singulares da caminhada da Igreja Jovem Mundial.
Nós da PJ temos realizado nos últimos meses um cadastro nacional dos grupos de jovens e dos/as assessores/as que acompanham a juventude e todas as expressões juvenis em nosso país. Estamos muito felizes com os resultados desses cadastros, pois a cada dia cresce o número de grupos e de assessores/as cadastrados.
Muito nos alegra também a preparação e realização das Atividades Permanentes das Pastorais da Juventude (Semana da Cidadania, Semana do/a Estudante e Dia Nacional da Juventude) que em sintonia com a Campanha da Fraternidade, com as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, com o Documento 85 e com o Documento de Aparecida refletem a realidade da juventude brasileira. A cada ano as atividades permanentes são assumidas por mais grupos de jovens, escolas, paróquias e dioceses. Segundo levantamento ainda em fase de conclusão, o último Dia Nacional da Juventude, celebrado em outubro/novembro de 2010, foi celebrado em mais de 200 dioceses.
Seguimos ainda firmes ao mandato de Cristo, que nos diz: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10) e as orientações do Documento 85, que na oitava pista de ação nos fala da garantia da vida da juventude, continuamos com a “Campanha Nacional contra a violência e o extermínio de jovens” que contribui com o grito pelo fim de todo tipo de violência que ceifa a vida da juventude em nosso país.
Em consonância com a Missão Continental traduzida para a juventude na América Latina, o Projeto de Revitalização da Pastoral Juvenil, foi e continuará sendo assumido em nossas ações para a vivência intensa como Igreja junto à juventude.
Reafirmamos também o nosso ser Igreja e nosso apoio ao Setor Juventude da CNBB, espaço de comunhão de todas as expressões comprometidas com a evangelização da juventude. Desejamos que com todas as expressões evangelizadoras da juventude possamos, por meio do Setor Juventude e no respeito a cada identidade, espiritualidade e metodologia no trabalho com jovens; defender a vida da juventude e gritarmos o Evangelho com nossas vidas, como nos dizia Dom Helder Câmara.
Fazemos votos de que a 49ª Assembleia Geral da CNBB produza muito frutos na Igreja do Brasil. Estamos em sintonia e oração para que a Assembleia corra na Paz de Deus, Pai de Amor.  Aproveitamos para agradecer a presidência da CNBB e às Comissões Episcopais que durante estes últimos quatro anos animaram a Ação Pastoral da Igreja no Brasil.
Continuamos rogando ao Deus da Vida que continue a derramar suas bênçãos sobre os senhores, que dedicam sua vida ao serviço do Reino.
Que juntos, como os discípulos missionários de Jesus Cristo, possamos ir ao encontro dos mais sofredores levando a eles o amor infinito de Deus.
Que a Virgem Aparecida, Mãe da Igreja, do Brasil e nossa Mãe, esteja sempre ao vosso lado.
Na fraternura juvenil,


Francisco Antonio Crisóstomo de Oliveira (Thiesco)
Secretário Nacional da Pastoral da Juventude
Pela Coordenação e Assessoria Nacional da PJ

Brasil à venda. E há quem compre

Brasil à venda. E há quem compre
Frei Betto

Quem costuma ir à feira, ao mercado ou ao supermercado para comprar alimentos sabe muito bem que eles têm subido de preços. A inflação começa a ficar fora de controle. O governo Dilma está consciente de que este é o seu calcanhar de Aquiles.
Os juros tendem a subir e a União anunciou um corte de R$ 50 bilhões no orçamento federal. (Espero que programas sociais, Saúde e Educação escapem da tesoura). Tudo para impedir que o dragão desperte e abocanhe o pouco que o brasileiro ganhou a mais de renda nos oito anos de governo Lula.
Lá fora, há uma crise financeira, uma hemorragia especulativa difícil de estancar. Grécia, Irlanda e Portugal andam de pires nas mãos. Na Europa, apenas a Alemanha tem crescimento significativo. Nos EUA, o índice de crescimento é pífio, três vezes inferior ao do Brasil.
Por que a alta do preço dos alimentos? Devido à crise financeira, os especuladores preferem, agora, aplicar seu dinheiro em algo mais seguro que papéis voláteis. Assim, investem em compra de terras.
Outro fator de alta dos preços dos alimentos é a expansão do agrocombustível. Mais terras para plantar vegetais que resultam em etanol, menos áreas para cultivar o que necessitamos no prato.
Produzem-se alimentos para quem pode comprá-los, e não para quem tem fome (é a lógica perversa do capitalismo). Agora se planta também o que serve para abastecer carros. O petróleo já não é tão abundante como outrora.
Nas grandes extensões latifundiárias adota-se a monocultura. Plantam-se soja, trigo, milho... para exportar. O Brasil tem, hoje, o maior rebanho do mundo e, no entanto, a carne virou artigo de luxo.
Soma-se a isso o aumento dos preços dos fertilizantes e dos combustíveis, e a demanda por alimento na superpopulosa Ásia. Mais procura significa oferta mais cara. A China desbancou os EUA como principal parceiro comercial do Brasil.   Soma-se a essa conjuntura a desnacionalização do território brasileiro. Já não se pode comprar um país, como no período colonial. Ou melhor, pode, desde que de baixo para cima, pedaço a pedaço de suas terras.
Há décadas o Congresso está para estabelecer limites à compra de terras por estrangeiros. Enquanto nossos deputados e senadores engavetam projetos, o Brasil vai sendo literalmente comido pelo solo.
Em 2010, a NAI Commercial Properties, transnacional do ramo imobiliário, presente em 55 países, adquiriu no Brasil, para estrangeiros, 30 fazendas nos estados de GO, MT, SP, PR, BA e TO. Ao todo, 96 mil hectares! Muitas compradas por fundos de investimentos sediados fora do nosso país, como duas fazendas de Pedro Afonso, no Tocantins, somando 40 mil hectares, adquiridas por R$ 240 milhões. Pagou-se R$ 6 por hectare. Hoje, um hectare no estado de São Paulo vale de R$ 30 mil a R$ 40 mil. É mais negócio aplicar em terras que em ações da Bolsa.
Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), ano passado cerca de US$ 14 bilhões foram destinados, no mundo, a compras de terras para a agricultura. As brasileiras constaram do pacote. Estima-se que a NAI detenha no Brasil mais de 20% das áreas de commodities para a exportação.
O escritório da NAI no Brasil conta com cerca de 200 fundos de investimentos cadastrados, todos na fila para comprar terras brasileiras e destiná-las à produção agrícola.
O alimento é, hoje, a mais sofisticada arma de guerra. A maioria dos países gasta de 60 a 70% de seu orçamento na compra de alimentos. Não é à toa que grandes empresas alimentícias investem pesado na formação de oligopólios, culminando com as sementes transgênicas que tornam a lavoura dependente de duas ou três grandes empresas transnacionais.
O governo Lula falou muito em soberania alimentar. O de Dilma adota como lema “Brasil: país rico é país sem pobreza”. Para tornar reais tais anseios é preciso tomar medidas mais drásticas do que apertar o cinto das contas públicas.
Sem evitar a desnacionalização de nosso território (e, portanto, de nossa agricultura), promover a reforma agrária, priorizar a agricultura familiar e combater com rigor o desmatamento e o trabalho escravo, o Brasil parecerá despensa de fazenda colonial: o povo faminto na senzala, enquanto, lá fora, a Casa Grande se farta à mesa às nossas custas.

Juventude: tempo e presença‏

Juventude: tempo e presença

"A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante”
(Engenheiros do Hawaii)

Por onde começar? Pergunta que sinaliza para uma das questões fundamentais da juventude nesse tempo moderno: suas decisões ou filosoficamente entendidas como opções. As escolhas fazem parte de nossa condição existencial e na formação da juventude essa é uma das provocações: cheguei até aqui nesse tempo presente e como viverei o que está por vir? São mais perguntas!
Seria aqui importante refletirmos acerca dos projetos de vida desse grupo social. Os horizontes e a expectativas podem fazer parte de suas vivências e experiências nos diversos campos de sua realidade, desde o psico-afetivo até as suas crenças em fenômenos religiosos. Então, como integrar todas as dimensões desses/as jovens às suas capacidades de elaboração e sistematização de seus projetos de vida?

Essa é outra indagação que merece como resposta à derrota de um mundo adultocêntrico, baseado nos referenciais daquele velho conselho que recebemos desde a infância: "quando você crescer... quando se tornar adulto... quando se tornar homem de verdade...”.
O cinema está "repleto” de produções que nos serviriam nesse tempo presente para ilustrar essa posição, basta vermos p. ex. o filme Coraline e o Mundo Secreto, uma animação sobre uma garotinha tratada como pequena adulta pelos pais, a ponto de acreditar num outro mundo no qual os pais a tratem como criança, explicitando dessa maneira a rejeição psíquica em participar de um tempo adulto sem sê-lo.

Outro filme recente, em minha opinião, na contramão do acima citado é a nova versão de Alice no País das Maravilhas (dir. de Tim Burton). A protagonista já na sua tenra juventude, numa sociedade amplamente aristocratizada, prometida em casamento e se preparando para tal, vive uma experiência e "retorna” à sua infância em um mundo maravilhoso. Essa experiência é que a faz retornar ao presente e optar por uma vida sem pretendente e casamento.

Uma das abordagens no cinema atual, a meu ver, representativa do fundamento da escolha, da liberdade, na mesma acepção sartreana da liberdade para a escolha, dentro de determinadas possibilidades. Essa é uma orientação de sentido importante na formação da juventude, de educar-se para o sentido e as possibilidades dentro de seus limites e configurações sociais, de sua realidade concreta e de classe, pois nossos gostos e interesses são aspectos de nossas experiências no conjunto das relações sociais.

O universo adulto pode sim contribuir com a formação de sujeitos jovens emancipados e capazes de pensar suas escolhas e horizontes, inclusive, colaborando com uma formação que contemple perceber a juventude como indivíduos-sociais, e não meramente como indivíduos per si, alimentados pelo desejo de "vencer na vida” e cair no círculo de ferro da alienação e de suas facetas mais modernas: o consumismo e a sociedade do espetáculo, em suas várias nuances como o culto ao corpo sarado, as cirurgias para redução disso ou daquilo, ao emburrecimento de programas como BBBs e conteúdos análogos.

Vale destacar! Um dos caminhos para a negação desses atuais valores "descartáveis” é a opção por projetar e pensar novos horizontes no âmbito do indivíduo-social, até mesmo compreendendo e explicando a juventude como uma parte da totalidade social e não como segmento/grupo/faixa etária isolada de outros de uma mesma sociedade.

A juventude em seu tempo e nas suas condições concretas colabora historicamente nos processos de transformação social – são sujeitos coletivos. E para serem sujeitos tiveram que optar entre a conformação da situação social e a irrupção do processo, basta lembrarmos p.ex. da participação da juventude no séc. XX de revoluções como o Outubro Vermelho (Rev. Russa de 17), o Maio de 68 na França e os/as jovens da Revolução Cubana.

Esses exemplos corroboram para o entendimento da juventude como fruto de seu tempo e presença significativa na produção da ontologia social. Cabe-nos a tarefa histórica de ajudá-la em suas provocações para inquirir do próprio mundo adulto suas certezas e crenças.
Leonardo Venicius Parreira Pr

Jesus Cristo ama a juventude da Evangelização da juventude - Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior

esus Cristo ama a juventude da  Evangelização da juventude

Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior fajr@pucsp.br

          Somos desafiados a permanecer em Cristo. Conectados, linkados, articulados como ramos à videira. E sobretudo, gestando vidas unidas em processo missionário permanente. É o tema para a inspiração. Nós seremos capazes de fazer brotar um rebento bonito e verdejante em nossa união a Cristo?
          A resposta é sim, se soubermos ver, convidar e acompanhar. 
Ver com amor e ver como Jesus, é o primeiro desafio. É um método e postura de vida. Quem vê o outro, já ultrapassou a si mesmo, e pode compreender a alma do segredo cristão. Ver com o olhar de Deus e permitir ser visto por Deus. A experiência tão falada hoje nos movimentos do “estar com Cristo” e “viver uma experiência profunda e única com Jesus” só pode acontecer se ao ir ao encontro dos jovens pudermos vê-los. Digo isso, pois muitos jovens hoje vivem uma situação de invisibilidade social e até (pasmem!) eclesial. Existem, mas desaparecem aos nossos olhos. Particularmente os jovens pobres e excluídos. Os bispos em Puebla, ao assumir a opção preferencial pelos jovens, nos idos de 1979 já falavam dos rostos machucados de tantos jovens latino-americanos que clamam por justiça, por amor, por dignidade e ternura. Os bispos em Aparecida, em 2007, retomam o apelo e dizem que há cinco rostos que nos fazem sofrer, “rostos que doem”. Precisamos vê-los no rosto dos jovens drogados, migrantes, dos que vivem nas ruas, dos doentes, dos presos e de tantos jovens desprezados. Sem contemplar e cuidar de seus rostos e de suas angústias, o diálogo da Igreja se tornará infrutífero. Sem mirar estes olhares e ouvir estas vozes ficamos fazendo escolhas inúteis e irrelevantes na história conflitiva de nossas sociedades. São a pedra de toque. São o rosto de Cristo que clama e conclama. São a seiva necessária para que possamos viver. Viver do olhar dos outros, como nos ensina o pensamento de gente tão bela como Martin Buber ou Kierkegaard e Immanuel Levinas, mas sobretudo Santo Agostinho, São Francisco de Assis e São João Bosco. Todos acreditaram que o rosto visto e contemplado é lugar de encontro com Deus e fonte de espiritualidade fecunda. Os jovens não sabem que são amados. Escondido nestes rostos sofridos e marcados por feridas e cicatrizes da violência que machuca demais está o próprio rosto de Deus. Ver os jovens é ver Deus. Ver Deus é viver para Ele plena e alegremente. Me vem à memória a bela frase do Bem-aventurado Charles de Foucault: “Desde o momento em que acreditei que havia um Deus, entendi que não poderia fazer outra coisa que viver somente para Ele”. 
          É hora de convidar. Depois de ver serena e profundamente, passa-se ao convite. Convite que o próprio Espírito de Jesus nos faz na liberdade e na esperança. Convite que os jovens esperam ouvir dos que já vivem em Igreja e comunidade. Convite generoso, direto, nominal. Convite feito cara-a-cara para participar, mudar o mundo e assumir desafios nas fronteiras da sociedade e da Igreja. Hoje são tantos os desafios que sempre falta gente para assumir. Convite bonito e bem feito. Nas portas das Igrejas, nas escolas, no meio da festa e até em momentos de dor. Aos jovens animados mas também aos desanimados. Aos jovens conectados mas também aos jovens solitários e sozinhos. Convite que não é assédio moral nem permite superficialidades. Convite para já e para amanhã. Convite que começa agora mas que dura a vida inteira. Convite que pode começar com um evento mas que não se esgota nisso. Convite que se torna processo de acolhida e de reconhecimento de capacidades e potencialidades. Nunca deve faltar o convite. Tantos jovens o esperam ansiosos. Nem sabem de donde mas sabem porque. A hora do convite é já. Como disse o profeta da juventude no Brasil, o querido Dom Hélder Pessoa Câmara: “O tempo urge! Não temos o direito de ser insensatos e imprudentes”. Em primeiríssimo lugar convidar as jovens negras e os jovens negros de nossos bairros e cidades. Devem ser os convidados de honra de nossos movimentos e de nossas pastorais da juventude. Também os indígenas de tantos povos e nações para que participem com a identidade e o valor de sua cultura e de seu povo da construção pluriétnica de um Brasil que queremos, fruto democrático de participação da juventude popular tantas vezes calada nestes últimos quinhentos anos. Em segundo lugar, convidar os jovens das cidades e do mundo urbano, de modo gentil e claro. Este convite deve vir acompanhado pela música. A música é a porta para o coração juvenil. Seremos felizes se estes jovens tornarem-se apóstolos de outros jovens como profetizou o querido Papa Paulo VI: “jovens apóstolos de jovens”. Hoje, diremos: jovens missionárias no mundo e no meio das muitas juventudes, nas ruas, shoppings, escolas, universidades, morros, bandas musicais, grupos de cultura popular, teatro, hip hop, e até nas Igrejas, na multiplicação de grupos de jovens articulados e animados pelo fervor missionário. 
          A etapa derradeira é o acompanhamento. Para que a árvore cresça e possa dar fruto é preciso que permaneça em Cristo, que seja cuidada e que viva da seiva abundante que vem de Deus. Devemos cuidar da planta e fazer a poda e boa águada de tempos em tempos. As vidas unidas em missão também devem preocupar-se com a organização e o trabalho em conjunto. Ser orgânicos e articulados. Ser equilibrados entre vida de trabalho e vida interior, sem dicotomia nem esquizofrenias espirituais tão freqüentes em grupos fundamentalistas na política e na religião. Não considerar-se os donos da verdade, mas querer estar na verdade. Ver com olhos amplos e dinâmicos as belezas de outros grupos, movimentos e até de outras Igrejas e grupos religiosos que não sejam os nossos. Ser fiel às nossas vocações e carismas mas nunca negar os dos outros. Ser firme na fé e na esperança mas manter o coração livre e aberto ao amor que como Espírito fecundo sopra onde quer e renova todas as coisas. Ao acompanhar nossos grupos e juventudes precisamos de firmeza permanente, de fidelidade conseqüente e de discernimento crítico. Nada se faz de qualquer modo nem de forma relapsa e desarticulada. Nossa força está na unidade plural. Não na uniformidade nem no autoritarismo de poucos. Os desafios novos são a ecologia, a ética e a sexualidade. A nova consciência juvenil diante das gerações futuras exige que nossas pastorais juvenis sejam profetas da ecologia, que assumam novas posturas e um novo jeito de estar no mundo sem desperdício, sem descartáveis e sem consumismo estéril. Jovens que não favoreçam ao aburguesamento, à vaidade e ao orgulho. Jovens que não sejam grosseiros nem violentos com outros colegas e menos ainda com mulheres e crianças. Jovens que não se permitam ser atingidos pelo vírus do machismo e do preconceito racial. Jovens mais austeros e respeitosos consigo mesmo e com o mundo em que vivemos. Jovens sustentáveis! Mas também jovens responsáveis, como nos pede um mestre da bioética, Hans Jonas, ao dizer que só a ética da responsabilidade pode salvar nosso planeta em risco. E ética que respeite o outro, o diferente e não permita ao jovem viver de arrogância e preconceito contra outros grupos humanos de nossas cidades. Jovem não pode perder-se nas malhas da violência e atacar negros, homossexuais e pobres como vemos em manchetes a cada dia em nossas metrópoles. Jovens novos, pois vivem dos valores do Evangelho. Respeitam a vida e suscitam a esperança. Jovens diferentes pois marcados pelo selo de Deus. Jovens que acreditem na proposta do Reino de Deus que é sempre maior e sempre desafiador. Jovens como Jesus: alegres, festeiros, simples, companheiros, orantes e sobretudo amigos de outros jovens. E que dizer do desafio de uma boa compreensão e vivência sexual. Aqui o acompanhamento e a pureza de coração devem fazer ecoar verdadeira melodia de liberdade. Ama e faz o que quiseres, dizia Santo Agostinho. Reconheça tua dignidade e saiba a que fostes destinado, diziam os padres da Igreja antiga. Saber-se e compreender-se feitos para amar e viver as pulsões sexuais de forma feliz e marcadas pelo amor e para o amor. São tantos os jovens machucados por desejos vazios e por uma sexualidade mórbida. Aqui a sexualidade se torna conflito e possibilidade de temor, medo e vergonha. Os jovens sabem que Jesus foi sexualmente feliz e íntegro. Jesus foi um jovem pleno em sua sexualidade relacional pois a viveu no amor e na integralidade de seu ser. Precisamos aprender e acompanhar os jovens na busca de maturidade e do equilíbrio sexual em uma nova visão antropológica do humano. Sexualidade como expressão profunda da pessoa humana, aberta aos outros, a si mesmo e a Deus. Viver a sexualidade como lugar e possibilidade de plenitude. Não rejeitar nem sublimar mas compreender e amar com serenidade, sem posse nem violência, vencendo a ansiedade que muitas vezes deprime e esvazia.
Enfim, se fizermos estes três pequenos passos, o do ver, o convidar e sobretudo o acompanhar nossos jovens permanentemente sem esmorecer poderemos cantar: “Virá o dia em que todos ao levantar a vista veremos nesta terra reinar a liberdade” e na última estrofe tão bela: “Protege o seu povo com todo o carinho/ fiel é seu amor em todo o caminho/ assim é o Deus vivo que marcha na história/ bem junto do seu povo, em busca da vitória”. 
          Confiar na juventude é a palavra encantada neste mundo de desencantamentos e simulacros fugazes.
Assim podemos proclamar com João, desde as longínquas terras de Éfeso até os rincões do mundo juvenil: “Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto (Jo 15,5).” Frutos espirituais, psicológicos, coletivos, pessoais, éticos, ecológicos, amorosos e saborosos, pois divinos. 

Dom Vilsom Basso: "A juventude não é o futuro, mas o presente para a Igreja"‏

dom_vilson_bassoA afirmação é do bispo responsável pela juventude no Regional Nordeste 5 da CNBB (Maranhão), dom Vilsom Basso, que destacou na coletiva de imprensa desta quinta-feira, 12, a opção preferencial da Igreja pela juventude.
Segundo dom Visom, essa preocupação é traduzida no mundo por meio da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que este ano acontece em Madri, na Espanha, e deverá reunir 2 milhões de jovens de todo o planeta.
“Trata-se de um evento que tem por objetivo energizar nossa juventude. Fazer com que eles tenham mais ânimo, coragem e convicção para trabalhar no meio do povo”, sublinhou. Na América Latina, segundo dom Vilsom, a opção pelos jovens teve início em 1979, com a 3ª Conferência Episcopal Latino Americana de Puebla, no México, quando a Igreja também fez a opção preferencial pelos pobres.
Dom Vilsom também comentou que a Igreja no Brasil fez a opção pela juventude a partir de 1981, com a criação do Setor Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e que hoje essa opção foi reforçada com a aprovação da criação da Comissão Episcopal para a Juventude que foi desmembra da Comissão para o Laicato nos últimos dias durante a 49ª AG.
“Foi uma decisão importante e profética pela importância que a juventude tem na sociedade e na Igreja e quando a Conferência toma essa decisão ela diz que estará com assessores, padres e leigos, preocupada especialmente com a evangelização da juventude isso traz esperança e alegria”, aprovou o bispo.
JMJ-2011
O bispo trouxe ainda alguns dados sobre a participação brasileira na Jornada Mundial da Juventude 2011. De acordo com ele, a CNBB participará do evento com uma delegação oficial de 350 jovens e 60 bispos. O total de jovens brasileiros inscritos para o evento, porém, já ultrapassa os 10 mil. O encontro dos jovens com o papa deverá reunir 2 milhões de jovens entre os dias 16 e 21 de agosto. Esta é a 12ª edição do evento que foi criado pelo papa João Paulo II em 1986, quando aconteceu pela primeira vez em Roma, na Itália.